Estreitamento da Uretra

Antes de falar do

estreitamento da uretra

, é importante entendermos o que é. A uretra é um tubo que transporta a urina da bexiga até ser eliminada pelo meato, que é a pontinha do canal. Apesar de ser contínua, a uretra é segmentada e cada parte tem suas peculiaridades:

1. Uretra Prostática: a parte inicial e é onde a uretra se junta aos ductos ejaculatórios, recebendo o sêmen durante a ejaculação.
2. Uretra Membranosa: a porção mais curta e estreita da uretra masculina, cercada pelo esfíncter uretral externo, que controla a micção voluntária.
3. Uretra Bulbosa: a porção mais larga e flexível, que continua até o início da uretra peniana.
4. Uretra Peniana ou Uretra Esponjosa: a parte mais longa da uretra, cercada pelo corpo esponjoso do pênis. Ela termina no meato uretral, a abertura na ponta do pênis por onde a urina e o sêmen são expelidos.

As diferenças anatômicas entre essas partes são importantes para entender como ocorrem os problemas e os tratamentos da uretra:

1. Estreitamentos (Estenoses): Podem ocorrer em qualquer parte, mas são mais comuns na uretra bulbar e peniana devido a traumas ou infecções.

2. Tratamentos Cirúrgicos: A complexidade do tratamento varia conforme a parte da uretra afetada. Por exemplo, estenoses na uretra prostática podem estar associadas a problemas prostáticos, enquanto na uretra peniana, o uso de tecidos da boca para reconstrução é comum.

Compreender essas partes é crucial para diagnosticar e tratar problemas da uretra de forma eficaz. Se você tiver sintomas como dificuldade para urinar, ardência ou esforço excessivo, procure um urologista para avaliação e tratamento adequado.



Um problema comum que pode ocorrer na uretra é o estreitamento, conhecido como

estenose uretral

. Esse estreitamento da uretra dificulta a passagem da urina, pois o organismo cria uma cicatriz no local, o que chamamos de fibrose. Essa fibrose pode ser causada por diversos motivos: procedimentos médicos, traumas, infecções sexualmente transmissíveis como a gonorreia, ou até mesmo de maneira desconhecida. Algumas doenças de pele também podem causar inflamação e, consequentemente, estreitamento da uretra.

Sintomas O comportamento da estenose é similar ao de uma ampulheta: a urina passa por um ponto estreito, forçando a bexiga a trabalhar mais para expulsar o líquido. Isso gera sintomas como ardência, desconforto ao urinar, e um esforço exagerado para conseguir urinar, podendo até atrasar o início da micção. Muitas vezes, os pacientes precisam fazer muita força para urinar, chegando a fazer o número dois ao mesmo tempo.

Além disso, esses esforços constantes podem desenvolver uma musculatura forte na bexiga, dificultando a distensão das fibras musculares e aumentando a frequência das idas ao banheiro. Esses sintomas são semelhantes aos da obstrução prostática, então é importante considerar a possibilidade de estenose uretral, especialmente em pacientes mais jovens, com menos de 40 anos, ou com histórico de procedimentos na uretra, gonorreia, ou traumas no períneo.



Para diagnosticar a estenose uretral, analisamos o histórico do paciente e os sintomas. Pacientes jovens não deveriam ter problemas de próstata, então se apresentam dificuldade para urinar, suspeitamos de estreitamento uretral.



Tratamentos O tratamento da estenose uretral geralmente envolve duas técnicas principais:

Uretoplastia Anastomótica: também conhecida como Uretoplastia Terminal, onde cortamos a parte estreitada e emendamos as duas pontas. Esse método é eficaz, mas só é possível em estreitamentos curtos, de até 2 a 3 centímetros, devido à elasticidade limitada da uretra.

Uretoplastia Substitutiva ou de Aumento: aqui, utilizamos um tecido da boca (mucosa oral) para ampliar a uretra. Imaginamos a uretra como um tubo que precisa ser alargado, e o tecido da boca é ideal para isso. Essa técnica é menos invasiva e preserva a circulação sanguínea local.



Em casos mais complexos, onde a perda de uretra é significativa (6 a 8 centímetros), outras técnicas são necessárias, mas a maioria dos pacientes se beneficia das duas técnicas mencionadas. Nos últimos anos, temos evitado técnicas que envolvem muitos cortes e emendas, devido ao risco de interromper a circulação sanguínea no local, o que pode prejudicar a longo prazo.

Pode voltar? Infelizmente, algumas vezes a cirurgia para corrigir o estreitamento da uretra pode não ser definitiva. O problema pode reaparecer, seja no mesmo local onde foi feita a correção, seja um pouco mais adiante na uretra. Isso acontece porque, embora possamos aliviar os sintomas e aumentar a largura do "cano" uretral, a causa subjacente da fibrose, muitas vezes, permanece no corpo do paciente.



A fibrose na uretra pode ser causada por diversas doenças inflamatórias. Quando realizamos a cirurgia de uretra, fazemos um "remendo" na uretra para ampliar o seu calibre, frequentemente utilizando um enxerto de mucosa oral. Esse procedimento pode proporcionar um alívio significativo e uma melhora notável nos sintomas.

No entanto, é crucial entender que a cirurgia não elimina a doença inflamatória que causou a fibrose inicialmente. Se o paciente não continuar com o acompanhamento médico adequado e não tratar a condição subjacente, existe uma grande chance de recidiva.

Após a cirurgia de uretra, é fundamental que o paciente mantenha um seguimento regular com o urologista. Esse acompanhamento permite monitorar a sua saúde geral.

Vamos imaginar que um paciente tinha uma área de 3 centímetros da uretra completamente obstruída e foi feito um enxerto de mucosa oral para ampliar o canal. A cirurgia foi um sucesso e o paciente ficou ótimo! No entanto, sem um tratamento contínuo para a doença inflamatória que causou a fibrose, e sem o acompanhamento regular, ele corre o risco de desenvolver novamente o estreitamento.

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