Sangue na Urina: o que pode ser?
Autor: Dr. Julio Bissoli, Urologista
Última Atualização: 12/2025
Tempo de Leitura: 10 minutos
A presença de
Embora muitas vezes associada a condições benignas, como infecções urinárias ou cálculos renais, estudos da American Urological Association indicam que a hematúria pode ser o primeiro e único sinal de neoplasias urológicas em cerca de 3% a 5% dos casos assintomáticos investigados. Portanto, a regra de ouro na urologia é clara: todo sangramento urinário deve ser investigado até que sua causa seja plenamente identificada.
Para o diagnóstico preciso, primeiramente classifico a hematúria em duas categorias clínicas distintas. Esta distinção é fundamental, pois dita a urgência e o tipo de exames complementares necessários.
1. Hematúria Macroscópica (Visível)
É a forma mais alarmante para o paciente. Ocorre quando há sangue suficiente para alterar a cor da urina a olho nu.
2. Hematúria Microscópica
Neste cenário, a urina mantém a sua cor amarela normal e límpida. O sangue só é detetado através de um exame de urina (Urina Tipo 1 ou EAS) ou pela análise do sedimento urinário ao microscópio.
3. Falsa Hematúria
Nem toda urina vermelha é sangue. Como urologista, devo descartar a “pseudo-hematúria” causada por:
Transcrição Otimizada:
“Olá, meu nome é Julio Bissoli, sou urologista. Vou falar um pouco hoje de sangue na urina. Chegaram algumas perguntas sobre o que que pode ser sangue na urina.
A gente tem dois tipos de sangue na urina: os que são visíveis, que a gente chama de hematúria macroscópica — ou seja, sangue na urina que você consegue enxergar a olho nu. Esse tipo de sangue geralmente é um pouco mais sério do que aquele sangue que aparece somente nos exames e não é visível a olho nu, que a gente chama de hematúria microscópica.
A hematúria microscópica [pode ser causada por] qualquer ferimento leve, qualquer alteração tipo infecção urinária, cálculo renal… qualquer coisa. Exercício físico intenso, qualquer coisa pode deflagrar hematúria microscópica se você colheu o exame próximo a uma situação como essas, até menstruação, por exemplo, também.
Então a gente separa as duas causas. Na hematúria macroscópica, que é mais séria, a gente vai pensar, lógico, em tumor. Aí a gente vai pensar principalmente em pacientes que fumam muito, que podem ter tumor de bexiga ou tumor de ureteres, do trato urinário. Mas também podem ser as mesmas causas da hematúria microscópica, só que com intensidade um pouquinho maior.
Só para dar um exemplo aqui, tem um trabalho clássico que foi feito na Maratona de Boston, onde colheram urina de atletas profissionais e não-profissionais antes da maratona e após a maratona. Mais da metade deles tinham hematúria microscópica e alguns, da ordem de 5% a 10%, tinham hematúria macroscópica. Então a atividade física intensa também pode deflagrar hematúria macroscópica.
A explicação que a gente tem para isso é que a bexiga funciona como um reservatório e o teto dela balança junto com a barriga. Então, se ela balançar demais por muito tempo, esse atrito pode gerar um pouco de sangue.
Independente de poder ser uma coisa grave ou uma coisa normal ou menos grave, vale a pena a consulta com o médico especializado e a realização de exames de imagem. Com relação a exames de imagem, a gente vai ter os exames mais simples, como a ultrassonografia, e os exames mais sofisticados, que são a ressonância de abdome total e a tomografia de abdome total. E quando a gente quer ver sangue, quer ver áreas que brilham, a gente geralmente vai pedir exames com contraste.”
Principais causas de Sangue na Urina A etiologia (origem) do sangramento varia drasticamente conforme a idade, sexo e histórico do paciente. Abaixo, detalhamos as causas mais frequentes baseadas em evidências.
1. Infecções do Trato Urinário
É a causa mais frequente em mulheres jovens. A bactéria (geralmente E. coli) invade a mucosa da bexiga (cistite), causando inflamação intensa e microrroturas nos vasos sanguíneos superficiais.
Sintomas associados: Ardência miccional (disúria), urgência para urinar, polaciúria (ir muitas vezes ao banheiro) e dor pélvica.
O que alerto na consulta: Se o sangramento persistir após o tratamento com antibióticos e a resolução da infeção, a investigação por imagem é obrigatória para descartar outras patologias mascaradas pela infeção.
2. Litíase Urinária (Pedras nos Rins)
Cálculos renais são estruturas cristalinas duras. Quando se deslocam do rim para o ureter (o canal que liga o rim à bexiga), causam atrito direto na parede mucosa.
Mecanismo: A pedra “arranha” o ureter durante a descida, provocando sangramento que pode ser micro ou macroscópico.
Quadro clínico geralmente associado a dor lombar intensa (cólica nefrética), náuseas e vómitos. Dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia sugerem que até 15% da população terá um episódio de cálculo renal ao longo da vida.
3. Hiperplasia Prostática Benigna (HPB)
Em homens acima de 50 anos, o crescimento benigno da próstata é uma causa prevalente.
Fisiopatologia: O tecido prostático aumentado é altamente vascularizado. O esforço para urinar ou a própria friabilidade dos novos vasos (angiogênese) pode levar ao rompimento de veias na superfície da próstata, libertando sangue na urina.
Tratamento: Muitas vezes, medicamentos inibidores da 5-alfa-redutase (como a Finasterida) ajudam a reduzir a vascularização e cessar o sangramento a longo prazo.
4. Neoplasias Urológicas (Câncer de Bexiga e Rim)
Este é o foco principal da nossa investigação de “alto risco”. O sangue na urina é o sintoma de apresentação mais comum para o Câncer de Bexiga (presente em 85% dos diagnósticos) e frequente no Câncer Renal.
O sinal silencioso: Diferente da pedra no rim ou da infecção, o sangramento tumoral é frequentemente indolor. O paciente urina sangue, mas não sente dor. Isso é perigoso, pois leva à demora na procura médica.
Fatores de Risco críticos: Tabagismo (triplica o risco de cancro urotelial), exposição ocupacional a tintas/químicos e idade avançada (> 60 anos).
5. Hematúria do “Corredor” (Trauma Mecânico)
Atletas de alta performance, especialmente maratonistas, podem apresentar sangue na urina após esforço extremo. Isso ocorre devido ao trauma repetitivo da parede da bexiga contra a base prostática ou colo vesical durante a corrida (“bexiga vazia”). Embora benigna, é um diagnóstico de exclusão — nunca assumimos que é “apenas exercício” sem exames prévios.
Quem deve se preocupar? Na minha prática clínica aqui em São Paulo, e seguindo as diretrizes da American Urological Association (2020), não trato todos os pacientes da mesma forma. Utilizo uma Estratificação de Risco para determinar a intensidade da investigação.
O objetivo é evitar exames invasivos desnecessários em pacientes jovens, mas garantir que nenhum tumor seja perdido em pacientes de risco.
Caminho do Diagnóstico Ao chegar ao consultório com queixa de sangue na urina, inicio um protocolo de “Cercopatia Diagnóstica”, investigando todo o trato urinário, do rim à uretra.
Importante: cada caso deve ser tratado de maneira única.
1. Ultrassonografia das Vias Urinárias
É o exame inicial de escolha para a maioria dos pacientes.
O que vê: Excelente para identificar pedras nos rins, hidronefrose (inchaço do rim) e tumores vesicais maiores.
Limitação: Pode não detetar tumores muito pequenos (< 5mm) no ureter ou na bexiga.
2. Urotomografia Computadorizada
O “Padrão Ouro” para imagem do trato urinário superior.
Tecnologia: Utiliza múltiplos cortes tomográficos com contraste iodado. Permite reconstruir em 3D a anatomia interna dos rins e ureteres.
Indicação: Obrigatória para pacientes de Alto Risco ou suspeita de tumor renal/ureteral. É o melhor exame para visualizar pequenas pedras e anatomia complexa.
3. Cistoscopia (Endoscopia da Bexiga)
Muitos pacientes perguntam: “O ultrassom ou a tomografia não viram nada, por que preciso da cistoscopia?” A resposta reside na sensibilidade. Exames de imagem veem a bexiga “de fora para dentro”. A cistoscopia coloca uma microcâmera dentro da bexiga, permitindo ao urologista ver alterações na mucosa, como o Carcinoma In Situ — um tipo de tumor plano e agressivo que é invisível na tomografia e ultrassom.
Procedimento: Realizado em ambiente ambulatorial ou hospitalar, com sedação leve ou anestesia local (gel), sendo rápido e, nas mãos experientes, pouco desconfortável.
Em resumo, sangue na urina não é normal. Mas na grande maioria das vezes é tratável. E o grande determinante de sucesso do tratamento de uma simples pedra até tumor complexo, é a precocidade do diagnóstico. A “espera vigilante” sem quais exames em casos de hematúria visível não é recomendada. Hoje em dia a tecnologia disponível nos principais hospitais de São Paulo, nos permitem, investigar a causa com acurácia de milímetros e desconforto minímo para o paciente. Se a cor da urina mudou ou seu exame de check-up diz “hemácias numerosas”, seu próximo passo não é pânico, e sim avaliação especializada.
Perguntas e respostas frequentes – FAQ O sangue na urina pode curar-se sozinho? Se a causa for um esforço físico intenso ou uma infeção leve que o corpo combate, o sangramento pode cessar. No entanto, o desaparecimento do sangue não significa que o problema foi resolvido. Tumores de bexiga, por exemplo, sangram intermitentemente. O fato de parar de sangrar não dispensa a investigação médica.
Beber pouca água causa sangue na urina? Indiretamente, sim. A desidratação crónica favorece a formação de cálculos renais (pedras) e infecções urinárias, que são as duas causas mais comuns de hematúria. Manter a urina clara e diluída é a melhor prevenção primária.
O anticoagulante causa hematúria? Medicamentos como Varfarina, AAS ou Clopidogrel “afinam” o sangue e facilitam sangramentos, mas raramente são a única causa. Geralmente, o anticoagulante apenas “desmascara” uma lesão preexistente (como um pólipo ou tumor) que já estava lá. Pacientes anticoagulados com sangue na urina devem ser investigados da mesma forma que os não anticoagulados.
Última Atualização: 12/2025
Tempo de Leitura: 10 minutos
A presença de
sangue na urina
, medicamente denominada hematúria, é um dos sinais clínicos mais importantes na urologia moderna. Diferentemente de sintomas inespecíficos, a hematúria é um “sinal de alerta” direto do corpo, indicando que há uma lesão ou patologia ativa no trato urinário — que engloba os rins, ureteres, bexiga, próstata ou uretra.Embora muitas vezes associada a condições benignas, como infecções urinárias ou cálculos renais, estudos da American Urological Association indicam que a hematúria pode ser o primeiro e único sinal de neoplasias urológicas em cerca de 3% a 5% dos casos assintomáticos investigados. Portanto, a regra de ouro na urologia é clara: todo sangramento urinário deve ser investigado até que sua causa seja plenamente identificada.
Para o diagnóstico preciso, primeiramente classifico a hematúria em duas categorias clínicas distintas. Esta distinção é fundamental, pois dita a urgência e o tipo de exames complementares necessários.
1. Hematúria Macroscópica (Visível)
É a forma mais alarmante para o paciente. Ocorre quando há sangue suficiente para alterar a cor da urina a olho nu.
- 1.1. Aparência: A urina pode apresentar coloração rosada, avermelhada viva, cor de chá ou assemelhar-se a refrigerantes de cola.
- 1.2. Significado clínico: Apenas 1 ml de sangue é suficiente para tingir 1 litro de urina. No entanto, a hematúria macroscópica tem uma correlação estatisticamente maior com patologias significativas, incluindo tumores vesicais, quando comparada à forma microscópica. A presença de coágulos é um sinal de sangramento ativo mais intenso e requer avaliação urológica imediata para evitar a retenção urinária (entupimento da saída da bexiga).
2. Hematúria Microscópica
Neste cenário, a urina mantém a sua cor amarela normal e límpida. O sangue só é detetado através de um exame de urina (Urina Tipo 1 ou EAS) ou pela análise do sedimento urinário ao microscópio.
- 2.1. Critério diagnóstico: A American Urological Association define a microhematúria clinicamente significativa como a presença de 3 ou mais hemácias por campo de grande aumento (hpF) numa amostra de urina centrifugada adequadamente coletada.
- 2.2. Prevalência: É extremamente comum, afetando entre 2% e 31% da população adulta saudável, dependendo da idade e fatores de risco.
3. Falsa Hematúria
Nem toda urina vermelha é sangue. Como urologista, devo descartar a “pseudo-hematúria” causada por:
- 3.1. Alimentos: Consumo excessivo de beterraba, amoras ou corantes alimentares.
- 3.2. Medicamentos: Uso de determinados antibióticos, analgésicos urinários ou alguns laxantes.
- 3.3. Causas fisiológicas: Em mulheres, a contaminação da amostra de urina pelo fluxo menstrual é a causa mais comum de “falso positivo”. Nestes casos, o exame deve ser repetido após o término do ciclo.
Clique aqui para expandir a transcrição do vídeo
Transcrição Otimizada:
“Olá, meu nome é Julio Bissoli, sou urologista. Vou falar um pouco hoje de sangue na urina. Chegaram algumas perguntas sobre o que que pode ser sangue na urina.
A gente tem dois tipos de sangue na urina: os que são visíveis, que a gente chama de hematúria macroscópica — ou seja, sangue na urina que você consegue enxergar a olho nu. Esse tipo de sangue geralmente é um pouco mais sério do que aquele sangue que aparece somente nos exames e não é visível a olho nu, que a gente chama de hematúria microscópica.
A hematúria microscópica [pode ser causada por] qualquer ferimento leve, qualquer alteração tipo infecção urinária, cálculo renal… qualquer coisa. Exercício físico intenso, qualquer coisa pode deflagrar hematúria microscópica se você colheu o exame próximo a uma situação como essas, até menstruação, por exemplo, também.
Então a gente separa as duas causas. Na hematúria macroscópica, que é mais séria, a gente vai pensar, lógico, em tumor. Aí a gente vai pensar principalmente em pacientes que fumam muito, que podem ter tumor de bexiga ou tumor de ureteres, do trato urinário. Mas também podem ser as mesmas causas da hematúria microscópica, só que com intensidade um pouquinho maior.
Só para dar um exemplo aqui, tem um trabalho clássico que foi feito na Maratona de Boston, onde colheram urina de atletas profissionais e não-profissionais antes da maratona e após a maratona. Mais da metade deles tinham hematúria microscópica e alguns, da ordem de 5% a 10%, tinham hematúria macroscópica. Então a atividade física intensa também pode deflagrar hematúria macroscópica.
A explicação que a gente tem para isso é que a bexiga funciona como um reservatório e o teto dela balança junto com a barriga. Então, se ela balançar demais por muito tempo, esse atrito pode gerar um pouco de sangue.
Independente de poder ser uma coisa grave ou uma coisa normal ou menos grave, vale a pena a consulta com o médico especializado e a realização de exames de imagem. Com relação a exames de imagem, a gente vai ter os exames mais simples, como a ultrassonografia, e os exames mais sofisticados, que são a ressonância de abdome total e a tomografia de abdome total. E quando a gente quer ver sangue, quer ver áreas que brilham, a gente geralmente vai pedir exames com contraste.”
Principais causas de Sangue na Urina A etiologia (origem) do sangramento varia drasticamente conforme a idade, sexo e histórico do paciente. Abaixo, detalhamos as causas mais frequentes baseadas em evidências.
1. Infecções do Trato Urinário
É a causa mais frequente em mulheres jovens. A bactéria (geralmente E. coli) invade a mucosa da bexiga (cistite), causando inflamação intensa e microrroturas nos vasos sanguíneos superficiais.
Sintomas associados: Ardência miccional (disúria), urgência para urinar, polaciúria (ir muitas vezes ao banheiro) e dor pélvica.
O que alerto na consulta: Se o sangramento persistir após o tratamento com antibióticos e a resolução da infeção, a investigação por imagem é obrigatória para descartar outras patologias mascaradas pela infeção.
2. Litíase Urinária (Pedras nos Rins)
Cálculos renais são estruturas cristalinas duras. Quando se deslocam do rim para o ureter (o canal que liga o rim à bexiga), causam atrito direto na parede mucosa.
Mecanismo: A pedra “arranha” o ureter durante a descida, provocando sangramento que pode ser micro ou macroscópico.
Quadro clínico geralmente associado a dor lombar intensa (cólica nefrética), náuseas e vómitos. Dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia sugerem que até 15% da população terá um episódio de cálculo renal ao longo da vida.
3. Hiperplasia Prostática Benigna (HPB)
Em homens acima de 50 anos, o crescimento benigno da próstata é uma causa prevalente.
Fisiopatologia: O tecido prostático aumentado é altamente vascularizado. O esforço para urinar ou a própria friabilidade dos novos vasos (angiogênese) pode levar ao rompimento de veias na superfície da próstata, libertando sangue na urina.
Tratamento: Muitas vezes, medicamentos inibidores da 5-alfa-redutase (como a Finasterida) ajudam a reduzir a vascularização e cessar o sangramento a longo prazo.
4. Neoplasias Urológicas (Câncer de Bexiga e Rim)
Este é o foco principal da nossa investigação de “alto risco”. O sangue na urina é o sintoma de apresentação mais comum para o Câncer de Bexiga (presente em 85% dos diagnósticos) e frequente no Câncer Renal.
O sinal silencioso: Diferente da pedra no rim ou da infecção, o sangramento tumoral é frequentemente indolor. O paciente urina sangue, mas não sente dor. Isso é perigoso, pois leva à demora na procura médica.
Fatores de Risco críticos: Tabagismo (triplica o risco de cancro urotelial), exposição ocupacional a tintas/químicos e idade avançada (> 60 anos).
5. Hematúria do “Corredor” (Trauma Mecânico)
Atletas de alta performance, especialmente maratonistas, podem apresentar sangue na urina após esforço extremo. Isso ocorre devido ao trauma repetitivo da parede da bexiga contra a base prostática ou colo vesical durante a corrida (“bexiga vazia”). Embora benigna, é um diagnóstico de exclusão — nunca assumimos que é “apenas exercício” sem exames prévios.
Quem deve se preocupar? Na minha prática clínica aqui em São Paulo, e seguindo as diretrizes da American Urological Association (2020), não trato todos os pacientes da mesma forma. Utilizo uma Estratificação de Risco para determinar a intensidade da investigação.
O objetivo é evitar exames invasivos desnecessários em pacientes jovens, mas garantir que nenhum tumor seja perdido em pacientes de risco.
| Categoria de Risco | Perfil do Paciente (Critérios AUA) | Conduta Diagnóstica Recomendada |
|---|---|---|
| Baixo Risco |
|
Observação Ativa. Repetir o exame de urina em 6 meses. Se persistir, avançar investigação. |
| Risco Intermediário |
|
Cistoscopia e Ultrassom. Necessário visualizar a bexiga e os rins. |
| Alto Risco |
|
Avaliação Completa Imediata. Cistoscopia + Urotomografia (Tomografia com contraste). |
Caminho do Diagnóstico Ao chegar ao consultório com queixa de sangue na urina, inicio um protocolo de “Cercopatia Diagnóstica”, investigando todo o trato urinário, do rim à uretra.
Importante: cada caso deve ser tratado de maneira única.
1. Ultrassonografia das Vias Urinárias
É o exame inicial de escolha para a maioria dos pacientes.
O que vê: Excelente para identificar pedras nos rins, hidronefrose (inchaço do rim) e tumores vesicais maiores.
Limitação: Pode não detetar tumores muito pequenos (< 5mm) no ureter ou na bexiga.
2. Urotomografia Computadorizada
O “Padrão Ouro” para imagem do trato urinário superior.
Tecnologia: Utiliza múltiplos cortes tomográficos com contraste iodado. Permite reconstruir em 3D a anatomia interna dos rins e ureteres.
Indicação: Obrigatória para pacientes de Alto Risco ou suspeita de tumor renal/ureteral. É o melhor exame para visualizar pequenas pedras e anatomia complexa.
3. Cistoscopia (Endoscopia da Bexiga)
Muitos pacientes perguntam: “O ultrassom ou a tomografia não viram nada, por que preciso da cistoscopia?” A resposta reside na sensibilidade. Exames de imagem veem a bexiga “de fora para dentro”. A cistoscopia coloca uma microcâmera dentro da bexiga, permitindo ao urologista ver alterações na mucosa, como o Carcinoma In Situ — um tipo de tumor plano e agressivo que é invisível na tomografia e ultrassom.
Procedimento: Realizado em ambiente ambulatorial ou hospitalar, com sedação leve ou anestesia local (gel), sendo rápido e, nas mãos experientes, pouco desconfortável.
Em resumo, sangue na urina não é normal. Mas na grande maioria das vezes é tratável. E o grande determinante de sucesso do tratamento de uma simples pedra até tumor complexo, é a precocidade do diagnóstico. A “espera vigilante” sem quais exames em casos de hematúria visível não é recomendada. Hoje em dia a tecnologia disponível nos principais hospitais de São Paulo, nos permitem, investigar a causa com acurácia de milímetros e desconforto minímo para o paciente. Se a cor da urina mudou ou seu exame de check-up diz “hemácias numerosas”, seu próximo passo não é pânico, e sim avaliação especializada.
Perguntas e respostas frequentes – FAQ O sangue na urina pode curar-se sozinho? Se a causa for um esforço físico intenso ou uma infeção leve que o corpo combate, o sangramento pode cessar. No entanto, o desaparecimento do sangue não significa que o problema foi resolvido. Tumores de bexiga, por exemplo, sangram intermitentemente. O fato de parar de sangrar não dispensa a investigação médica.
Beber pouca água causa sangue na urina? Indiretamente, sim. A desidratação crónica favorece a formação de cálculos renais (pedras) e infecções urinárias, que são as duas causas mais comuns de hematúria. Manter a urina clara e diluída é a melhor prevenção primária.
O anticoagulante causa hematúria? Medicamentos como Varfarina, AAS ou Clopidogrel “afinam” o sangue e facilitam sangramentos, mas raramente são a única causa. Geralmente, o anticoagulante apenas “desmascara” uma lesão preexistente (como um pólipo ou tumor) que já estava lá. Pacientes anticoagulados com sangue na urina devem ser investigados da mesma forma que os não anticoagulados.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Diante de sintomas, procure um urologista para avaliação individualizada.