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Pergunta frequente

Exame PSA é suficiente para diagnosticar o Câncer de Próstata?

Não. O PSA sozinho não diagnostica câncer de próstata, e um valor dentro da faixa de referência não descarta a doença. Ele é uma peça da avaliação, ao lado do exame físico e, quando o caso pede, da imagem.

O motivo está no que a dosagem mede.

O PSA é marcador de massa de próstata

O PSA, antígeno prostático específico, é a dosagem que eu uso nas consultas para estimar risco de câncer de próstata. E ele é, antes de tudo, marcador de massa de próstata. Quanto mais tecido prostático existe, mais PSA circula. Uma próstata maior produz mais PSA por ser maior.

Uma próstata cresce ao longo da vida adulta, e isso por si só não é doença. É o que acontece no aumento benigno da próstata, que é condição frequente e não tem relação de causa com o câncer.

Por que um valor isolado diz pouco

A suspeita de tumor não nasce do PSA ter subido. Nasce do PSA ter subido desproporcionalmente mais do que a glândula cresceu.

Imagine, como exemplo hipotético, um homem que tinha 1 de PSA e foi para 2. O PSA dobrou, e é o tipo de variação que assusta quem lê o resultado sozinho. Agora acrescente a outra metade da informação: a próstata dele tinha 30 gramas e foi para 56. Os dois cresceram em proporção parecida. Apesar do aumento grande de PSA, nesse cenário não está presente a desproporção que levanta suspeita, e quem olhasse só a linha do PSA teria concluído o contrário.

O que me faz olhar duas vezes é o inverso. Um PSA que sobe numa próstata que não cresceu.

Como eu avalio o tamanho da glândula

O toque retal dá uma noção do tamanho e, principalmente, da consistência e da superfície da próstata. É exame de consultório, rápido, e continua sendo o primeiro.

O ultrassom devolve uma medida, em centímetros cúbicos ou gramas. É o exame que a maioria dos homens já fez e o que costuma estar no laudo que chega às minhas mãos.

A ressonância magnética é a que tem maior acurácia para avaliar a massa da próstata. Ela não é pedida só para isso, e quando existe, é dela que sai a medida mais confiável.

Uma dosagem não decide nada. A série decide

Nenhuma dessas contas se faz com um exame só. O que eu leio é o padrão de várias dosagens ao longo dos anos, e o formato da curva é a informação principal.

Um PSA que está num platô há vários anos, mesmo num valor que o laboratório marcou em negrito, preocupa pouco. A curva ascendente é que muda a conduta: quem vinha de zero e pouco, foi para um e pouco, e segue subindo. Nessa curva, a velocidade também conta.

É por isso que eu peço os exames anteriores, e não só o último. Um PSA sozinho é um ponto. O que eu preciso ver é a linha.

O que altera o PSA sem ter relação com câncer

Andar de bicicleta, relação sexual recente, o próprio toque retal e alguns procedimentos podem elevar a dosagem. Infecção e inflamação da próstata também. Escrevi em detalhe sobre um deles, que é o que mais gera dúvida, em andar de bicicleta altera o exame de PSA.

Por isso um resultado alterado tem contexto antes de virar conduta: o que você fez nos dias anteriores à coleta muda a leitura.

O toque retal continua fazendo parte

O toque informa o que nenhuma dosagem informa: consistência, superfície e a presença de um nódulo. Uma próstata endurecida ou irregular ao toque muda a investigação mesmo com PSA baixo, e é uma das razões pelas quais valores baixos não excluem a doença.

Quando eu peço ressonância antes de indicar biópsia

Quando a série de PSA sobe de forma que o crescimento da glândula não explica, ou quando o toque levanta suspeita, o exame que eu costumo pedir é a ressonância multiparamétrica de próstata, antes de indicar biópsia. Ela mostra se existe área suspeita dentro da glândula e como essa área se comporta. O exame precisa de contraste, e escrevi sobre isso em ressonância de próstata sem contraste.

A biópsia continua sendo o que confirma ou afasta o diagnóstico de câncer de próstata. O que a ressonância faz é decidir melhor quem precisa dela e onde procurar.

Quando vale marcar uma consulta

Vale marcar se o seu PSA vem subindo ao longo dos últimos anos, se alguém já sugeriu biópsia e você quer entender o raciocínio antes de decidir, ou se você tem os exames e ninguém sentou para lê-los na sequência.

Sou responsável pelo Setor de Urologia Reconstrutiva e Cirurgia de Uretra do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, e atendo em consultório particular em Perdizes, São Paulo (SP).

E vale trazer os exames anteriores, não só o último.

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Perguntas frequentes

Qual é o valor normal de PSA?

Não existe um número único que sirva para todo mundo. A leitura depende da idade, do tamanho da próstata e, principalmente, do que as dosagens anteriores mostraram. Um mesmo valor pode ser tranquilo em quem está estável há anos e merecer investigação em quem vinha subindo.

Próstata aumentada com PSA normal, o que quer dizer?

É uma combinação comum, e por si só não é o padrão que levanta suspeita, porque o que chama atenção é o PSA desproporcional à massa. Isso não exclui tumor: PSA dentro da faixa de referência não é garantia, e a avaliação continua sendo individual. Ela também não diz nada sobre sintomas urinários, que se avaliam à parte.

De quanto em quanto tempo preciso repetir o PSA?

Depende da idade, do valor atual e do que a série vem mostrando. É decisão de consulta.

Dá para confirmar o câncer de próstata sem biópsia?

Não. A ressonância mostra se existe área suspeita e ajuda a decidir quem precisa da biópsia e onde procurar, e é o exame que eu costumo pedir antes. Quem confirma ou afasta o diagnóstico é a biópsia.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Diante de sintomas, procure um urologista para avaliação individualizada.

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